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Poderia ser uma prosa sobre suicídio...

Abro os olhos. A luz do sol entrava no meu quarto pelas frestas da cortina. Malditas frestas. Abro a cortina por inteiro, me sinto o próprio Drácula ao encarar o sol. Olho para o relógio, 06 horas, em ponto. Nem um minuto a mais, nem a menos. Faltam 35 minutos para o despertador tocar. Aparentemente, meu relógio biológico - e isso existe?! - se adaptou à necessidade de acordar cedo, quando se vive num mundo capitalista. Ou  talvez sejam só aquelas frestas na cortina. Malditas frestas! Respirei fundo e pus em prática todos os hábitos de higiene pessoal que se fazem necessários às 06h05. Saí do banho, escovei os dentes. Lembrei da cortina, das malditas frestas e daquela luz que invadiu meu quarto, tentando fazer com que o dia seja bom - até parece! -, passei protetor solar no rosto e nas mãos. Olhei-me no espelho. Talvez devesse passar base e corretivo para esconder a cara de quem havia chorado madrugada a dentro. Ignorei as olheiras e liguei a cafeteira. Enquanto minha pequ...

2018: "Ainda sou quem era"

" Mais uma página do mesmo livro Mais uma parte da mesma história Mais uma telha do mesmo abrigo Mais uma bênção da mesma glória. Mais uma ruga do mesmo riso Mais uma estrela do mesmo breu Mais uma cena do mesmo circo Mais uma face do mesmo eu."¹ O ano novo começou há exatamente 12 dias, talvez eu esteja um pouco atrasada para fazer textos nas redes sociais sobre recomeços, metas, mudanças e todas essas coisas que as pessoas falam em toda virada de ano. Além disso, tenho a sorte de fazer aniversário bem no comecinho de janeiro, o que deveria ser um reforço para eu querer falar sobre "ano novo, vida nova", mas, não sei bem o motivo, comigo ultimamente tem sido o inverso. O ano começa, meu aniversário chega e, ao invés de prometer dietas, trabalhos e conquistar o mundo, fico mais introspectiva. Surgem alguns pensamentos sobre o que tenho feito e como tenho feito, se estou realmente vivendo a vida que gostaria, se envelhecer e virar o ano é tão bo...

"I'll never be good enough"

Parecia ser um dia de férias normal para mim. Acordei, estava nublado, talvez chovesse mais tarde... Peguei meu café e decidi que iria arrumar meus antigos CDs e DVDs. Era estranho estar no quarto que eu dormi grande parte da minha vida, mas, ao mesmo tempo, me trazia lembranças boas de quando eu morava aqui na casa dos meus pais.  E eu devia ir me acostumando de novo, afinal tinha acabado de voltar para o Brasil. Abri a última gaveta da minha cômoda e lá estavam eles. Tirei todos, comecei a passar um pano úmido para tirar a poeira e resolvi ouvir alguns daqueles CDs. Peguei aquele velho discman da minha mãe que, creia ou não, ainda funciona, e fui colocando alguns CDs. The Wall, A Night at the Opera, Pump, Help!, Stadium Arcadium e alguns mais novos. Até que cheguei no meu melhor amigo da adolescência, Light me Up , The Pretty Reckless, 2010. Não sabia há quantos anos não ouvia essa banda. Coloquei para ouvir... até que chegou naquela música, a nossa música. Era engraçado di...

Caderninho de rascunhos

Sentada de frente para minha escrivaninha ou aquilo que hoje as pessoas tendem a chamar de "home office", notebook aberto, me pego olhando um velho caderninho, jogado numa das prateleiras. Estico o braço e pego aquele caderno, abro-o e começo a folhear. Ali estavam várias coisas que outrora eu escrevera. Poemas, mini-contos, crônicas, opiniões, viagens... Comecei a ler e, por incrível que pareça, me lembrei da cada uma das situações nas quais eu havia escrito aquelas coisas. Aquele caderno, um dia, tinha sido meu melhor amigo, meu companheiro inseparável, meu Sancho, como eu carinhosamente o chamava na adolescência. Em todos os lugares que eu ia, ele ia junto. Fosse a viagem mais fantástica que eu tinha feito ou, simplesmente, a ida para a escola. Eu gostava de observar a tudo e a todos e tudo aquilo que eu achava interessante, anotava no caderninho e, assim que chegasse num lugar mais tranquilo, punha-me a escrever e inventar histórias sobre aquilo. Era maravilhoso... ...

Tempus Fugit

Entre um café e outro paro para pensar... algo já está errado bem aí, no começo do pensamento. Quantos cafés tomo por dia? Não sei. A gastrite, adquirida no terceiro período da faculdade, agradece. Pego a xícara de café, despejo na pia. Dentro do armário, pego o bule da minha avó, guardado há tantos anos, e preparo um chá de camomila. Assim que fica pronto, pego uma xícara e sento na escada da varanda, observando os carros que passam. Não moro numa cidade grande, mas vivemos como se fosse. Sentada ali, entre os goles do meu chá sem açúcar, me pego pensando sobre minha vida, pessoal, acadêmica, profissional... Sempre quis ser escritora, viajar o mundo e escrever sobre ele, sobre pessoas, histórias, aventuras... E até que escrevo razoavelmente bem, obrigada . Mas, desde que comecei a fazer minha tão sonhada faculdade, não tenho mais criatividade, nem tempo, nem mesmo vontade para sentar num canto e escrever. A intenção de estar matriculada numa faculdade era adquirir conhecimen...

É estranho...

É estranho. Estranho estar sentada aqui, na minha poltrona de couro, no canto de uma biblioteca fria, ou melhor, da minha biblioteca fria, em frente a uma lareira, com um cigarro eletrônico em minha mão, escrevendo neste diário depois de tantos anos. É estranho. Estranho ter escolhido justamente este diário. Maldito diário! Tantos risos, tantos prantos, tantas fotos, tantos sonhos. Há tantos anos... É estranho. Estranho eu ter levantado, ido até a vitrola e ter escolhido aquele disco. Aquele disco, com aquelas histórias, com aquele arranhado, com aquele bilhete, que obviamente caiu ao chão, quando coloquei o disco para tocar aquela música. Nossa música. É estranho. Estranho eu estar aqui, escrevendo meus sentimentos e tudo o que está acontecendo, num diário da minha adolescência, que ganhei de você, dizendo que eu deveria escrever sempre, pois meus textos te faziam cada vez mais apaixonado, enquanto tomo um copo de uísque. Caro. Amargo . Você tentou me ensinar a gostar,...

Jogo da Verdade

Um dia, num jogo da verdade entre amigos, me fizeram a seguinte pergunta “qual foi a melhor droga que você experimentou, pelo menos uma vez na vida?”. Era uma pergunta complicada, complexa, tensa e cheia de densidade emocional. Pensei em vários momentos da minha vida, em todas as drogas que tinha experimentado, fortes ou fracas. Todas elas podem ser consideradas boas, mas todas também podem ser consideradas ruins, depende de você. Pensar em todos os vícios era uma tarefa difícil e sofrida. Cigarros, cassinos, café, Halls preta, vodca, tequila, Bukwoski, whisky, sexo, vinho... eram tantas coisas para serem listadas. Mas eu sabia bem qual era a melhor droga que eu tinha experimentado. E experimentado apenas uma vez na vida. Na verdade, ainda estou experimentando... Amor. Se você tem 13 anos e acha que já experimentou Amor de verdade, pode ter certeza que ainda falta algo. O Amor é a melhor coisa que você pode experimentar em vida. Você se torna um viciado. E, sim, depende daquilo pa...