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Um manifesto em favor dos sebos

Nunca tinha parado para pensar há quanto tempo frequento livrarias. Lembro de, na infância, ir à biblioteca municipal e pegar alguns livros. Só que de começar a ir às livrarias, eu não me lembro. Mas é engraçado, porque, ao mesmo tempo, tenho muitas recordações da minha mãe me dando gibis da turma da Mônica quando eu era mais nova. Lembro inclusive da livraria em que ela comprava. Quando me tornei adolescente, lembro da minha mãe dizendo que ia comprar meus livros da escola num “sebo”. Mas que diabos é isso?! Foi quando ela me disse que era uma livraria que vendia livros usados. E, na verdade, era exatamente a mesma livraria que ela comprava aqueles meus gibis que eu gostava tanto. Sempre soube que meus gibis e meus livros eram usados, mas nunca soube que as livrarias que vendiam livros de segunda mão tinham outro nome. Hoje, posso dizer que sou super adepta dos sebos. Uma seguidora incontestável. A maior parte dos meus livros são usados, até porque eu decidi ser classicista, né?  ...

Para 2021, quero ser um pouco mais como as andorinhas que vejo pela janela...

    Estou de férias. E agora? Tenho tempo para ver os filmes que falei que queria ver, ler os livros que comecei e não consegui dar continuidade, aprender de fato a costurar, observar os pássaros e a chuva, respirar de forma mais lenta e não pensar em absolutamente nada relativo à vida acadêmica e ao trabalho pelos próximos dias.     Entre um gole e outro de chá, penso que não sei mais lidar com uma vida calma e com o fato de não ter crises de ansiedade por achar que não darei conta de tudo o que precisa ser feito. A vida é tão melhor assim, mas confesso que estou assustada. Sinto que, a qualquer momento, vou me dar conta de que, na verdade, eu precisava entregar um trabalho ontem e simplesmente esqueci.     Pensando nisso, minha respiração oscila, o coração dispara, o nervosismo e a vontade de sair correndo e gritar voltam a me assombrar. Velha amiga, você aqui de novo. Essa sensação eu conheço muito bem. Não gosto dela, mas me acostumei a estar em sua com...

Uma millenial em crise ou gostaria que a moda dos anos 90s/00s não se restringisse às roupas...

    Nunca fui de falar abertamente sobre meus sentimentos por aqui, não de maneira tão direta, pelo menos. Mas, nos últimos tempos, tenho tido uma sensação que não passa... Uma sensação de não pertencimento, que sei que, constantemente, faz com que as pessoas não se sintam confortáveis onde estão ou com quem estão.          Só que, andando por aí e rolando as redes sociais, é possível perceber  que não sou a única a ser assombrada pelo espectro do não-lugar. Aparentemente, grande parte da minha geração está passando pela mesmíssima situação. E, por isso, estou aqui, sentada em uma cadeira giratória, com o notebook aberto e um fone enorme tocando uma playlist chamada "Lane Kim's Music Library" - claramente feita por alguém que tem experienciado o mesmo sentimento que eu - num daqueles streamings de músicas.           A verdade é que parece que a geração 90s está enfrentando uma crise de pertencimento... Nosso caráter f...

Uma perda irreparável...

 Estou perdida e não sei aonde ir. Ando em meio a prédios, construções, lotes baldios, vejo pessoas, tropeço nelas. Ouvi alguém chamar. Não sei se foi a mim ou a outra pessoa. Não lembro mais meu próprio nome. Uma criança chora, chamando pela mãe, me viro para ajudá-la. Não há criança. Corro em meio à multidão. Não quero estar aqui. Estou... um nó prende a respiração em meu peito. Olho em volta e não reconheço nada. Não sei mais onde estou. A dor de estar e não ser é presente e constante. Mais uma vez ouço a criança que chama pela mãe, me viro e dou de cara com um vitrine espelhada na qual me vejo. Estou chorando. Onde está a minha mãe? Sento no chão sujo, em meio a garrafas de vidro e papéis amassados.  Estou sem ar... Todos os sentimentos consomem o meu ser, todas as dores, todas as mágoas, todas as perdas. Chorar já não adianta mais, não alivia, não faz passar, não me acalma. Então, resolvo correr. Me levanto e corro. Corro o mais rápido que posso. Corro muito. Não sei pra ...

Poderia ser uma prosa sobre suicídio...

Abro os olhos. A luz do sol entrava no meu quarto pelas frestas da cortina. Malditas frestas. Abro a cortina por inteiro, me sinto o próprio Drácula ao encarar o sol. Olho para o relógio, 06 horas, em ponto. Nem um minuto a mais, nem a menos. Faltam 35 minutos para o despertador tocar. Aparentemente, meu relógio biológico - e isso existe?! - se adaptou à necessidade de acordar cedo, quando se vive num mundo capitalista. Ou  talvez sejam só aquelas frestas na cortina. Malditas frestas! Respirei fundo e pus em prática todos os hábitos de higiene pessoal que se fazem necessários às 06h05. Saí do banho, escovei os dentes. Lembrei da cortina, das malditas frestas e daquela luz que invadiu meu quarto, tentando fazer com que o dia seja bom - até parece! -, passei protetor solar no rosto e nas mãos. Olhei-me no espelho. Talvez devesse passar base e corretivo para esconder a cara de quem havia chorado madrugada a dentro. Ignorei as olheiras e liguei a cafeteira. Enquanto minha pequ...

2018: "Ainda sou quem era"

" Mais uma página do mesmo livro Mais uma parte da mesma história Mais uma telha do mesmo abrigo Mais uma bênção da mesma glória. Mais uma ruga do mesmo riso Mais uma estrela do mesmo breu Mais uma cena do mesmo circo Mais uma face do mesmo eu."¹ O ano novo começou há exatamente 12 dias, talvez eu esteja um pouco atrasada para fazer textos nas redes sociais sobre recomeços, metas, mudanças e todas essas coisas que as pessoas falam em toda virada de ano. Além disso, tenho a sorte de fazer aniversário bem no comecinho de janeiro, o que deveria ser um reforço para eu querer falar sobre "ano novo, vida nova", mas, não sei bem o motivo, comigo ultimamente tem sido o inverso. O ano começa, meu aniversário chega e, ao invés de prometer dietas, trabalhos e conquistar o mundo, fico mais introspectiva. Surgem alguns pensamentos sobre o que tenho feito e como tenho feito, se estou realmente vivendo a vida que gostaria, se envelhecer e virar o ano é tão bo...

"I'll never be good enough"

Parecia ser um dia de férias normal para mim. Acordei, estava nublado, talvez chovesse mais tarde... Peguei meu café e decidi que iria arrumar meus antigos CDs e DVDs. Era estranho estar no quarto que eu dormi grande parte da minha vida, mas, ao mesmo tempo, me trazia lembranças boas de quando eu morava aqui na casa dos meus pais.  E eu devia ir me acostumando de novo, afinal tinha acabado de voltar para o Brasil. Abri a última gaveta da minha cômoda e lá estavam eles. Tirei todos, comecei a passar um pano úmido para tirar a poeira e resolvi ouvir alguns daqueles CDs. Peguei aquele velho discman da minha mãe que, creia ou não, ainda funciona, e fui colocando alguns CDs. The Wall, A Night at the Opera, Pump, Help!, Stadium Arcadium e alguns mais novos. Até que cheguei no meu melhor amigo da adolescência, Light me Up , The Pretty Reckless, 2010. Não sabia há quantos anos não ouvia essa banda. Coloquei para ouvir... até que chegou naquela música, a nossa música. Era engraçado di...