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"I'll never be good enough"

Parecia ser um dia de férias normal para mim. Acordei, estava nublado, talvez chovesse mais tarde... Peguei meu café e decidi que iria arrumar meus antigos CDs e DVDs. Era estranho estar no quarto que eu dormi grande parte da minha vida, mas, ao mesmo tempo, me trazia lembranças boas de quando eu morava aqui na casa dos meus pais.  E eu devia ir me acostumando de novo, afinal tinha acabado de voltar para o Brasil. Abri a última gaveta da minha cômoda e lá estavam eles. Tirei todos, comecei a passar um pano úmido para tirar a poeira e resolvi ouvir alguns daqueles CDs. Peguei aquele velho discman da minha mãe que, creia ou não, ainda funciona, e fui colocando alguns CDs. The Wall, A Night at the Opera, Pump, Help!, Stadium Arcadium e alguns mais novos. Até que cheguei no meu melhor amigo da adolescência, Light me Up , The Pretty Reckless, 2010. Não sabia há quantos anos não ouvia essa banda. Coloquei para ouvir... até que chegou naquela música, a nossa música. Era engraçado di...

Caderninho de rascunhos

Sentada de frente para minha escrivaninha ou aquilo que hoje as pessoas tendem a chamar de "home office", notebook aberto, me pego olhando um velho caderninho, jogado numa das prateleiras. Estico o braço e pego aquele caderno, abro-o e começo a folhear. Ali estavam várias coisas que outrora eu escrevera. Poemas, mini-contos, crônicas, opiniões, viagens... Comecei a ler e, por incrível que pareça, me lembrei da cada uma das situações nas quais eu havia escrito aquelas coisas. Aquele caderno, um dia, tinha sido meu melhor amigo, meu companheiro inseparável, meu Sancho, como eu carinhosamente o chamava na adolescência. Em todos os lugares que eu ia, ele ia junto. Fosse a viagem mais fantástica que eu tinha feito ou, simplesmente, a ida para a escola. Eu gostava de observar a tudo e a todos e tudo aquilo que eu achava interessante, anotava no caderninho e, assim que chegasse num lugar mais tranquilo, punha-me a escrever e inventar histórias sobre aquilo. Era maravilhoso... ...

Tempus Fugit

Entre um café e outro paro para pensar... algo já está errado bem aí, no começo do pensamento. Quantos cafés tomo por dia? Não sei. A gastrite, adquirida no terceiro período da faculdade, agradece. Pego a xícara de café, despejo na pia. Dentro do armário, pego o bule da minha avó, guardado há tantos anos, e preparo um chá de camomila. Assim que fica pronto, pego uma xícara e sento na escada da varanda, observando os carros que passam. Não moro numa cidade grande, mas vivemos como se fosse. Sentada ali, entre os goles do meu chá sem açúcar, me pego pensando sobre minha vida, pessoal, acadêmica, profissional... Sempre quis ser escritora, viajar o mundo e escrever sobre ele, sobre pessoas, histórias, aventuras... E até que escrevo razoavelmente bem, obrigada . Mas, desde que comecei a fazer minha tão sonhada faculdade, não tenho mais criatividade, nem tempo, nem mesmo vontade para sentar num canto e escrever. A intenção de estar matriculada numa faculdade era adquirir conhecimen...

É estranho...

É estranho. Estranho estar sentada aqui, na minha poltrona de couro, no canto de uma biblioteca fria, ou melhor, da minha biblioteca fria, em frente a uma lareira, com um cigarro eletrônico em minha mão, escrevendo neste diário depois de tantos anos. É estranho. Estranho ter escolhido justamente este diário. Maldito diário! Tantos risos, tantos prantos, tantas fotos, tantos sonhos. Há tantos anos... É estranho. Estranho eu ter levantado, ido até a vitrola e ter escolhido aquele disco. Aquele disco, com aquelas histórias, com aquele arranhado, com aquele bilhete, que obviamente caiu ao chão, quando coloquei o disco para tocar aquela música. Nossa música. É estranho. Estranho eu estar aqui, escrevendo meus sentimentos e tudo o que está acontecendo, num diário da minha adolescência, que ganhei de você, dizendo que eu deveria escrever sempre, pois meus textos te faziam cada vez mais apaixonado, enquanto tomo um copo de uísque. Caro. Amargo . Você tentou me ensinar a gostar,...

Jogo da Verdade

Um dia, num jogo da verdade entre amigos, me fizeram a seguinte pergunta “qual foi a melhor droga que você experimentou, pelo menos uma vez na vida?”. Era uma pergunta complicada, complexa, tensa e cheia de densidade emocional. Pensei em vários momentos da minha vida, em todas as drogas que tinha experimentado, fortes ou fracas. Todas elas podem ser consideradas boas, mas todas também podem ser consideradas ruins, depende de você. Pensar em todos os vícios era uma tarefa difícil e sofrida. Cigarros, cassinos, café, Halls preta, vodca, tequila, Bukwoski, whisky, sexo, vinho... eram tantas coisas para serem listadas. Mas eu sabia bem qual era a melhor droga que eu tinha experimentado. E experimentado apenas uma vez na vida. Na verdade, ainda estou experimentando... Amor. Se você tem 13 anos e acha que já experimentou Amor de verdade, pode ter certeza que ainda falta algo. O Amor é a melhor coisa que você pode experimentar em vida. Você se torna um viciado. E, sim, depende daquilo pa...

Quando é pra ser...

Sempre li muitos contos de fadas e acreditava que a vida poderia ser como eles. Mas estava enganada. A vida não é tão simples como estas histórias. Os livros que li falavam de amor como se fosse um sentimento qualquer, como tristeza e agonia. Mas o Amor não devia ser tratado desta forma, afinal talvez fosse o sentimento mais complexo e profundo que qualquer ser, humano ou não, pode sentir. Achei que, quando encontrasse o amor da minha vida, seria simples como Cinderela ou Rapunzel, mas a vida não é tão fácil assim, não é mesmo? Então encontrei você. Era óbvio que era o amor da minha vida, afinal era o melhor amigo que eu poderia escolher, a melhor pessoa para dividir histórias, risadas, brigadeiros e, até mesmo, as dolorosas lágrimas, que insistiam tanto em cair de meus olhos. Me deixei levar pelas histórias e gostos parecidos, pelo seu sorriso e sua covinha, maldita covinha! E você, aparentemente, se deixou levar também, apesar de saber que estávamos em momentos tão distintos ...

Curta demais

Estes dias me caiu a ficha do quanto a vida é rápida, fugaz, efêmera... Eu sempre tive a impressão de que a "eternidade" é muito tempo, que quando dizemos "para sempre" é muita coisa. Afinal, estas duas expressões querem dizer "o resto da vida", o que nos parece muita coisa realmente... Mas será? Ninguém sabe ao certo quanto tempo durará "o resto" de nossas vidas. Pode ser 80/50/20 anos; 12/10/08 meses ou algumas horas. O que realmente deveria importar não é a duração disto tudo, mas a intensidade com a qual vivemos. É disto que se trata quando dizemos "para o resto de minha vida": intensidade ! CARPE DIEM (colha o dia). Já ouviram dizer ou viram tatuado em alguém? É disso que se trata! A vida é curta demais para perder minutos/horas/dias brigando com alguém. A vida é curta demais para controlar a quantidade de postagens no facebook. A vida é curta demais para controlar todas as suas emoções. A vida é curta demais para não falar alto...