Pular para o conteúdo principal

Carta a Eros

Eros,

te escrevo essa carta para pedir-lhe um favor, talvez o maior de todos. Nunca tinha escrito-lhe algo, pois nunca achei necessário, contudo, dessa vez, as coisas parecem estar dando certo, parecem estar funcionando, parecem estar caminhando para um "happy end".
Eu nunca tinha visto as coisas darem tão certo para mim no âmbito amoroso antes. E, me conhecendo do jeito que me conheço, sei que sou do tipo que, quando as coisas começam a funcionar, fujo, me esquivo, me escondo... Filho de Afrodite, te imploro, não me permita desistir, não dessa vez, não agora. Peço que me dê esperança, força, expectativa e perseverança o suficiente para acreditar nisso tudo, nessa felicidade, nessa história de amor.
Tenho medo de tudo o que está acontecendo ser precipitado, tenho medo de estar deixando-me levar pelas borboletas no estômago. Mas, se eu não deixar que elas me levem, nunca saberei realmente o efeito da tal paixão, não é mesmo? Para saber como funciona isso tudo, devo deixar que você, Eros, e sua mãe, Afrodite, interfiram e ajam em minha vida. Será que consigo?
Tenho mania de controle, sinto uma necessidade inexplicável em controlar absolutamente tudo, de forma racional e impecável. Para mim, tudo que eu puder fazer funcionar e dar certo, farei, mas isso significa que devo controlar, inclusive os sentimentos envolvidos. Talvez esse seja meu maior erro, pois, com isso, não consigo deixar que você e sua mãe resolvam tudo por mim.
Sei que no Olimpo existem muitas pendências para vocês poderem resolver, mas agradeceria se olhassem com carinho esse meu pedido, porque tenho medo de estar prestes a estragar tudo, mais uma vez.

Obrigada pela atenção.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Leio para não ser engolida pela rotina

na semana passada, uma amiga (oi, Luiza) compartilhou a seguinte frase no story do instagram "livro não é  unidade de medida" e essa é uma verdade que deveria ser absoluta. mas isso vai na contramão da sociedade em que vivemos atualmente e vai na contramão da possibilidade de criação de conteúdo para a internet. essa reflexão tem absolutamente tudo a ver com a forma com que eu venho repensando e ressignificando minha vida, minha produção acadêmica, meu trabalho como professora e, óbvio, minha relação com o universo virtual. estar no instagram enquanto "produtora de conteúdo", apesar de não viver disso, me fez muitas vezes reconfigurar minha vida e ter crises de identidade sobre como o que eu gostaria de fazer/ser. nunca vi na internet uma possibilidade de trabalho, apesar de sempre gostar de falar por aqui (vide este blog que criei há muitos anos). falar sobre as coisas, trocar ideias e experiências sempre foi uma grande paixão para mim e foi um dos motivos pelos qu...

2018: "Ainda sou quem era"

" Mais uma página do mesmo livro Mais uma parte da mesma história Mais uma telha do mesmo abrigo Mais uma bênção da mesma glória. Mais uma ruga do mesmo riso Mais uma estrela do mesmo breu Mais uma cena do mesmo circo Mais uma face do mesmo eu."¹ O ano novo começou há exatamente 12 dias, talvez eu esteja um pouco atrasada para fazer textos nas redes sociais sobre recomeços, metas, mudanças e todas essas coisas que as pessoas falam em toda virada de ano. Além disso, tenho a sorte de fazer aniversário bem no comecinho de janeiro, o que deveria ser um reforço para eu querer falar sobre "ano novo, vida nova", mas, não sei bem o motivo, comigo ultimamente tem sido o inverso. O ano começa, meu aniversário chega e, ao invés de prometer dietas, trabalhos e conquistar o mundo, fico mais introspectiva. Surgem alguns pensamentos sobre o que tenho feito e como tenho feito, se estou realmente vivendo a vida que gostaria, se envelhecer e virar o ano é tão bo...

Por que esperar pela aposentadoria para levar a vida que sempre sonhei?

 A pandemia de COVID-19, a não vivência de diversos momentos e a dor causada pela perda de entes queridos no último ano me fizeram repensar muitas coisas sobre minha vida e sobre meus sonhos. Tenho 24 anos, tenho sangrado pra cachorro e ano passado uma parte de mim morreu, junto com a minha avó e com a Karou, minha coelhinha de estimação mais velha. Desde que adentrei na vida adulta vivenciei dores e medos que eu não esperava. Me vi, nos últimos 4 anos, mais vezes em hospitais do que esperava... E, bom, ano passado o mundo acabou... Sei que não fui a única que vivenciou coisas horríveis nesse período de pandemia; e eu nem posso dizer que as dores que vivi foram diretamente ligadas ao Coronavírus. Muito possivelmente, se ele não existisse, eu as teria vivido da mesma forma. São as fatalidades da vida, né? Ou: a única certeza que temos é a morte. Mas uma coisa que a quarentena e o distanciamento social fizeram foram me dar uma nova perspectiva sobre isso tudo. Ao passar pelas dores q...