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Leio para não ser engolida pela rotina

na semana passada, uma amiga (oi, Luiza) compartilhou a seguinte frase no story do instagram "livro não é  unidade de medida" e essa é uma verdade que deveria ser absoluta.

mas isso vai na contramão da sociedade em que vivemos atualmente e vai na contramão da possibilidade de criação de conteúdo para a internet.

essa reflexão tem absolutamente tudo a ver com a forma com que eu venho repensando e ressignificando minha vida, minha produção acadêmica, meu trabalho como professora e, óbvio, minha relação com o universo virtual.

estar no instagram enquanto "produtora de conteúdo", apesar de não viver disso, me fez muitas vezes reconfigurar minha vida e ter crises de identidade sobre como o que eu gostaria de fazer/ser. nunca vi na internet uma possibilidade de trabalho, apesar de sempre gostar de falar por aqui (vide este blog que criei há muitos anos).

falar sobre as coisas, trocar ideias e experiências sempre foi uma grande paixão para mim e foi um dos motivos pelos quais criei um blog e, anos depois, um instagram... acho que também foi o motivo pelo qual escolhi ser professora - e especificamente professora da área de Letras.

eu gosto de ler e de escrever coisas, eu gosto de falar sobre aquilo que leio e aquilo que vejo. eu gosto de ler livros, ler pessoas, ler a vida... mas, ao mesmo tempo em que criei meios para conseguir falar sobre isso com outras pessoas, esses meios muitas vezes matam a minha vontade de viver a leitura.

eu já estava pensando sobre isso há algum tempo e, voltando à frase que minha amiga postou no story da tal fatídica rede social, achei importante reafirmar - para mim e para outras pessoas - o que eu já acreditava. e isso me lembrou uma outra coisa... no filme "Sociedade dos Poetas Mortos", aparece, no livro de literatura dos alunos, a seguinte frase:

"Se a perfeição do poema for representada na horizontal de um gráfico, e a sua importância na vertical, calculando a área do poema, chega-se a medida de sua grandeza."

após lê-la, professor Keating manda os alunos arrancarem a página do livro e fala que vai ensinar os alunos a de fato apreciarem e a sentirem a poesia. isso me fez pensar o quanto isso cabe à nossa realidade do século XXI. apesar de aparentemente hoje precisarmos dar notas, estrelas e podium aos livros, não existe uma medida certa para aproveitá-los nem para lê-los. a literatura é algo flexível. não é sobre ser produtivo ou sobre quantidades. é sobre sentimento.

ainda aproveitando uma frase do filme...

"Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor... é para isso que vivemos.

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