Pular para o conteúdo principal

Bendita/Maldita saudade

Saudade.
Merda.
Saudade é uma merda. Uma merda porque toda hora te dá um nó na cabeça com pensamentos idiotas, te dá um nó na garganta com sentimentos presos, te dá um nó de lágrimas que você não consegue despejar.
Saudade só serve para saber que você deseja algo que não pode ter no momento.
Existem níveis de saudade. Existe a saudade "tô com saudade, mas tá de boa", existe a saudade "tô com saudade, mas vou sobreviver", existe a saudade "tô com muita saudade" e existe a saudade "acho que vou morrer até o dia de te reencontrar". E é através desses níveis que você percebe o quanto se tornou dependente da pessoa. Caso você se encaixe no último estágio da saudade, pode ter certeza que, pra você, só vai existir essa pessoa durante um bom tempo na sua vida.
A saudade nos mostra o quanto dói ter alguém que você ama distante. Sei que é meio clichê, mas os minutos parecem horas, as horas parecem anos... O dia do tão esperado reencontro parece nunca chegar. E parece, realmente, que você não irá sobreviver caso a pessoa não volte logo. Tudo dói, dor emocional e física, falta de ar, falta de ânimo, nada te deixa feliz e, depois de uns dias, suas lágrimas secam, você não consegue nem chorar, porque já gastou toda energia que tinha chorando e gritando nos primeiros dias.
E aí você fica lembrando de cada momento bom e feliz que vocês vivem juntos, cada sorriso bobo, cada crise de ciúmes, cada sentimento estranho, cada noite que passaram juntos, cada problema do passado e sua vontade de chorar só aumenta, porque, com a pessoa distante, isso parece ter acontecido em uma outra vida, parece que você acabou de acordar de um sonho muito bom e, simplesmente, tem que voltar à merda da realidade em que vive. Porque essa pessoa consegue fazer sua vida ser um sonho, ser a melhor vida, faz tudo parecer um conto de fadas ou aqueles filmes de comédia romântica que passam na Sessão da Tarde e, se ela não estiver por perto, tudo desmorona.
Saudade é um dos piores sentimentos, é um sentimento que te faz sofrer muito e sentir muita dor, mas você sabe que, se existe essa dor, esse vazio, é porque tudo do que você viveu foi real e que depois, quando você reencontrar a pessoa, tudo vai voltar a ser um sonho.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Leio para não ser engolida pela rotina

na semana passada, uma amiga (oi, Luiza) compartilhou a seguinte frase no story do instagram "livro não é  unidade de medida" e essa é uma verdade que deveria ser absoluta. mas isso vai na contramão da sociedade em que vivemos atualmente e vai na contramão da possibilidade de criação de conteúdo para a internet. essa reflexão tem absolutamente tudo a ver com a forma com que eu venho repensando e ressignificando minha vida, minha produção acadêmica, meu trabalho como professora e, óbvio, minha relação com o universo virtual. estar no instagram enquanto "produtora de conteúdo", apesar de não viver disso, me fez muitas vezes reconfigurar minha vida e ter crises de identidade sobre como o que eu gostaria de fazer/ser. nunca vi na internet uma possibilidade de trabalho, apesar de sempre gostar de falar por aqui (vide este blog que criei há muitos anos). falar sobre as coisas, trocar ideias e experiências sempre foi uma grande paixão para mim e foi um dos motivos pelos qu...

2018: "Ainda sou quem era"

" Mais uma página do mesmo livro Mais uma parte da mesma história Mais uma telha do mesmo abrigo Mais uma bênção da mesma glória. Mais uma ruga do mesmo riso Mais uma estrela do mesmo breu Mais uma cena do mesmo circo Mais uma face do mesmo eu."¹ O ano novo começou há exatamente 12 dias, talvez eu esteja um pouco atrasada para fazer textos nas redes sociais sobre recomeços, metas, mudanças e todas essas coisas que as pessoas falam em toda virada de ano. Além disso, tenho a sorte de fazer aniversário bem no comecinho de janeiro, o que deveria ser um reforço para eu querer falar sobre "ano novo, vida nova", mas, não sei bem o motivo, comigo ultimamente tem sido o inverso. O ano começa, meu aniversário chega e, ao invés de prometer dietas, trabalhos e conquistar o mundo, fico mais introspectiva. Surgem alguns pensamentos sobre o que tenho feito e como tenho feito, se estou realmente vivendo a vida que gostaria, se envelhecer e virar o ano é tão bo...

Uma millenial em crise ou gostaria que a moda dos anos 90s/00s não se restringisse às roupas...

    Nunca fui de falar abertamente sobre meus sentimentos por aqui, não de maneira tão direta, pelo menos. Mas, nos últimos tempos, tenho tido uma sensação que não passa... Uma sensação de não pertencimento, que sei que, constantemente, faz com que as pessoas não se sintam confortáveis onde estão ou com quem estão.          Só que, andando por aí e rolando as redes sociais, é possível perceber  que não sou a única a ser assombrada pelo espectro do não-lugar. Aparentemente, grande parte da minha geração está passando pela mesmíssima situação. E, por isso, estou aqui, sentada em uma cadeira giratória, com o notebook aberto e um fone enorme tocando uma playlist chamada "Lane Kim's Music Library" - claramente feita por alguém que tem experienciado o mesmo sentimento que eu - num daqueles streamings de músicas.           A verdade é que parece que a geração 90s está enfrentando uma crise de pertencimento... Nosso caráter f...